O desafio de capacitar novas gerações
No mundo das tecnologias exponenciais, como fortalecer o valor humano? 04/05/2018 09:21
» Marco Santos
Autor: Marco Santos

Até 2025, um em cada três postos de trabalho será substituído por robôs, mostra uma pesquisa da consultoria Ernst & Young. Essa informação, impactante para a maioria, comprova a disrupção que vivemos no mundo inteiro. De acordo com outro estudo, realizado pela McKinsey, 50% dos atuais postos de trabalho no Brasil já poderiam ser automatizados.

E o que isso representa? Mais do que uma transformação profunda na dinâmica do mercado de trabalho global, a forma como nos capacitamos, reciclamos conteúdos e evoluímos nosso sistema educacional também se modifica. É fato que a tecnologia substituirá o homem em algumas áreas de atuação, porém a inteligência humana seguirá indispensável em muitas outras. Em uma sociedade que muda em ritmo frenético, o mercado precisa se adaptar e se reinventar na mesma velocidade.

Para isso, a troca de informações tem se mostrado a única forma eficaz para acompanhar as mudanças, determinante para desenvolver competências e tornar os profissionais verdadeiramente qualificados. A nova geração não se capacita só em sala de aula durante o horário padrão de expediente, mas também em encontros colaborativos para pesquisa, discussão e competição combinados com uma boa dose de diversão e novas experiências sociais, muitas vezes até altas horas da madrugada.

As próprias empresas têm percebido isso e investido no potencial de eventos como palestras, rodas de conversa e happy hours de conteúdo e execução. Na GFT organizamos, por exemplo, o CodeN´Beer, que é uma noite com chopp, pizza, discussões de arquitetura de software e mão-na-massa em desenvolvimento, onde reunimos profissionais de áreas específicas e lideranças da empresa, além de convidados externos, com intuito de discutir assuntos relevantes no universo das tecnologias exponenciais e promover o aprendizado coletivo. É impressionante o resultado efetivo de uma iniciativa simples no dia a dia das pessoas.

Das vivências pessoais, análise de cases e informações complementares nascem conteúdo e insights muito ricos. Isso também possibilita que os profissionais tenham um conhecimento mais abrangente, indo além da sua área específica, criando um coworking maior e mais horizontal dentro das corporações.

Tais programas são um investimento no próprio empreendimento e um estímulo aos colaboradores, na formação de talentos. Eles podem se aprimorar de uma forma leve e descontraída, sem a sisudez de um ambiente acadêmico e por meio de uma cultura de colaboração.

Essa nova postura das empresas está em linha com dados que apontam que as tecnologias exponenciais mudarão a forma como as pessoas vivem. Segundo um estudo do IFTF (Institute for the Future), elaborado a partir de entrevistas com 20 especialistas globais nas áreas de tecnologia, negócios e acadêmicos, em 2030 todos os negócios serão baseados em tecnologia e cerca de 85% das profissões, que estarão presentes no momento, ainda não foram inventadas. Isso prova a velocidade das mudanças pelas quais estamos passando e também como é importante, para empresas e profissionais, se manterem a par dessas transformações para não perderem espaço no mercado.

Nos últimos anos vimos que alguns locais se adaptaram bem à revolução proporcionada pela tecnologia, onde apesar de alguns empregos terem sido substituídos por robôs e sistemas, uma série de ocupações foram criadas. As mudanças podem ser benéficas se soubermos antecipá-las e usá-las a nosso favor.

Sendo assim, promover o intercâmbio de ideias e experiências dentro dos estabelecimentos é cada vez mais necessário para aprender em tempo real enquanto transformações acontecem tão rapidamente, com novos modelos de negócio sendo criados e novas competências exigidas.

Afinal, esta é uma geração que se capacita de maneiras que vão além das tradicionais e que tem acesso a muita informação, tanto em volume como em variedade, além de diversificadas experiências profissionais: ninguém hoje em dia trabalha com uma coisa só. É definitivamente uma geração de multitarefas e multi-telas, e que, ainda de acordo com o relatório do IFTF, busca empresas nas quais poderá aprender e causar um impacto significativo.

Se o mercado souber incentivar e aproveitar esse cenário em ascensão, só tem a ganhar com profissionais motivados e ambientados no ecossistema colaborativo.

Marco Santos é managing director da GFT para a América Latina e presidente do Conselho Fiscal da Brasscom.

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