A pessoa certa no lugar errado
A importância da inovação em entrevistas sem o desenho estratégico do cargo 01/11/2013 07:20
» Neusa Miguel
Autora: Neusa Miguel

Antes de propormos métodos de recrutamento e entrevistas inovadores, temos que analisar de forma detalhada o que se espera de cada profissional a ser entrevistado. Se o que buscamos é um profissional harmônico de nada adianta propor metodologias de identificação de pró-atividade e arrojo. Se o que buscamos é um profissional que trabalhe em equipe, de nada adianta propor metodologias de identificação de aspectos que resultem em assumir riscos e decisões sem dados concretos e confiáveis.

E ainda, buscamos os inovadores, arrojados, líderes carismáticos; mas será que temos espaço ou preparo para gerenciá-los? Eis aqui a questão: o que vem primeiro é a entrevista, o estilo do profissional ou o desenho do que se espera dele para que desempenho um bom trabalho?

Ao desenharmos o que esperamos do cargo, devemos ainda dar um passo atrás e relacionar os pontos principais e críticos da estratégia da empresa. A atenção e reflexão devem conter alguns passos:
- Pontuar cada item desejado elencando a intensidade esperada;
- Relacionar o desejado à descrição da função;
- Relacionar a descrição da função à forma como será medido o desempenho;
- Relacionar a avaliação do desempenho a um bônus específico;
- Comunicar estas etapas e cuidar para que este profissional esteja capaz de entregar o que lhe foi pedido em termos de treinamento e gestão.

Agora sim podemos pensar em formas inovadoras de entrevistas. As mais criativas que temos visto é, antes de entrevistá-los individualmente, submetê-los a jogos, muitos disponíveis por meio da web. Estes jogos têm como objetivo primário reconhecer, a cada etapa, como o profissional toma decisões. Estas decisões podem revelar de forma lúdica quais aspectos são considerados pelo profissional ao avançar no jogo. Cada decisão tem uma consequência. Outra vantagem é a de que jovens talentos são estimulados, bem cedo na vida, às respostas e navegação em jogos eletrônicos. Nada mais intenso do que observá-los num ambiente que lhe é familiar.

Isto não significa dizer que possamos dispensar o velho e bom método alicerçado nas entrevistas. O "olho no olho", a sinergia com a cultura da empresa, a empatia entre candidato e superior imediato e equipe. Num mercado atual aquecido e competitivo com o nosso, devemos sim estar atentos a formas inovadores de recrutar, selecionar e identificar os mais adequados aos cargos. Talvez a inovação esteja na forma como cruzamos as informações dos candidatos comparando-os ao ideal dos cargos.

Pesquisas americanas revelam que 75% do tempo e esforço dos gestores estão concentrados na busca de candidatos ativos.

Neusa Miguel é presidente da Dom Brasil Diagnósticos.

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